Fernanda Muniz

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Fernanda Muniz

Conversar Sobre um Projeto

A Persona Tufão: uma reflexão sobre impacto

Inovação,  Ouse +

Na última viagem de São Paulo a Lençóis Paulista, vivi uma daquelas experiências que o corpo registra antes mesmo do pensamento entender. Foi assustador. Era noite. A chuva estava muito forte. O vento, violento. Relâmpagos em sequência quase contínua. A visibilidade da estrada era praticamente zero. Eu estava no ônibus, que precisou encostar no acostamento e ser desligado. Tudo ficou escuro. O veículo balançava com a força do vento. O som da chuva contra o vidro era ensurdecedor. Minutos depois, em um posto, veio a informação: um ciclone extratropical havia passado muito próximo, em sentido oposto ao nosso. Passou “de raspão”, mas foi o suficiente para deixar sua marca. Uso aqui a metáfora do ciclone/tufão com profundo respeito aos danos reais que esses fenômenos causam a tantas pessoas. Falo do seu aspecto simbólico — força, rota e reverberação — como imagem para pensar impacto, não para romantizar o sofrimento. Aquilo me atravessou. Não só como experiência sensorial, mas como metáfora. E imediatamente me levou a um outro episódio, anos atrás, no Japão. Quando o tufão me ensinou sobre impacto (e sobre personas) Eu estava em Kyoto quando foi emitido o alerta de tufão. Na televisão, os jornais exibiam o mapa do Japão com a rota central prevista do tufão — o caminho principal onde o impacto seria máximo — e, ao redor, uma zona mais ampla de cidades que não seriam atingidas diretamente, mas sentiriam seus efeitos: vento, chuvas, restrições, mudanças no ritmo. O tufão mudou levemente a rota e não passou pelo centro da cidade. Ainda assim, senti os efeitos da chamada “borda”: bicicletas proibidas, rajadas de vento tão fortes que quase arrancaram meu celular da mão ao sair na rua. Naquele momento, pela primeira vez, pensei em impacto por camadas. Em rota principal. Em bordas. Em reverberações. E isso nunca mais saiu de mim. O que um tufão tem a ver com a sua persona? Tempos depois dessa viagem ao Japão, em um dos cursos de pitch que ministro, ouvi uma questão recorrente: muita gente tem medo de definir persona e de preencher mapa de empatia. Com falas como: “Meu produto é para mães que gostam de viajar… mas também serve para quem não é mãe e gosta de viajar. Em quem eu foco?” “Moro fora e vendo brigadeiros. A maioria dos meus clientes são brasileiros que moram fora do Brasil, mas há também estrangeiros curiosos. E aí?” Foi aí que nasceu a ideia do que chamo de Persona Tufão. Acredito que toda marca, todo projeto, toda solução precisa de uma rota central de impacto. Alguém para quem a mensagem é direta, precisa, quase inevitável. Essa é a sua persona principal: o centro do tufão. Mas isso não significa que apenas quem está exatamente nessa rota será impactado. Assim como no Japão: E isso é absolutamente natural. As “rebabas” da persona (e por que elas também importam) Já vi isso inúmeras vezes em cursos, mentorias e projetos. Pessoas que não eram exatamente o público central da promessa, mas estavam ali porque: Exemplo real: O curso era para mães que gostam de viajar. Na sala, havia: Elas não estavam na rota central da persona. Mas estavam, claramente, na borda do tufão. Foram impactadas. Engajaram. Compraram. Aplicaram. O erro não é definir a persona. É não entender o raio de impacto. Quando você não define sua rota central: Quando você define com clareza: Porque impacto não é só sobre quem é “exatamente igual”. É sobre quem está perto o suficiente para sentir o movimento. A lógica da Persona Tufão Você não precisa ter medo de desenhar seu cliente ideal. Você só precisa compreender três camadas: Rota central Quem você quer impactar diretamente. Sua persona principal, seu cliente ideal! Zonas de borda Quem compartilha parte da dor, do desejo ou do momento de vida. Efeitos indiretos Quem se conecta por identificação, projeção ou preparação para o futuro. O problema nunca foi definir a persona. O problema sempre foi achar que ela exclui, quando, na verdade, ela organiza o impacto. Nem todo impacto precisa ser central para ser transformador. Mas todo impacto precisa de uma rota clara para existir. Ouse traçar a sua. 🌪️

27.01.2026 / 0 Comentários
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Como um encontro me levou a Sertãozinho — e o que o Canathon me lembrou sobre ecossistemas e possibilidades

Inovação,  Ouse +,  Tecnologia

Nem sempre a inovação nasce do inesperado — mas muitas das boas conexões, sim. E foi exatamente isso que me levou ao Canathon , no interior de São Paulo. Conheci o Rodrigo, da Agronomic, no REC’n’Play — uma conversa simples, sem intenção formal — e descobrimos que o evento que ele patrocinava aconteceria muito perto de onde (e quando) eu estaria. Com um pequeno ajuste na agenda, fui conhecer Sertãozinho. E valeu cada minuto. No Canathon, validei algo importante: a essência de um hackathon permanece, mesmo em regiões diferentes, com perfis distintos e propostas próprias. Times resolvendo problemas reais — neste caso, desafios de usinas de cana — guiados por ciclos de mentoria, ideação e prototipação. A mesma lógica que move qualquer evento dessa natureza: gente pensando junto para resolver o que importa e inspirar a cultura da inovação. Durante a visita, tive a oportunidade de conhecer o SENAI Sertãozinho. Uma estrutura impressionante: bioenergia, CNC, robótica, laboratórios de química, uma usina de produção de álcool… E, por alguns instantes, voltei ao tempo em que fui gestora técnica do Parqtel. Me peguei pensando: como seria juntar alunos de diferentes áreas para desafios combinados? Talvez até com a criação de uma incubadora de projetos, como a Inbarcatel… O potencial é enorme — e muito palpável. Foi nesse momento que Rodrigo instigou: “Vamos sentar e pensar no Canathon Nordeste?” E claro que aceitei. Aproveito para deixar aqui a provocação: se você concorda e quer se juntar… quem sabe, mais uma vez, o inesperado não reverbera em novas conexões? Agradeço ao Rodrigo Leitao , ao AgronomiQ e ao SENAI Sertãozinho pela recepção generosa e por abrirem espaço para uma imersão tão rica. No fim, é disso que eu gosto nos ecossistemas: das pontes que surgem quando a gente aparece, escuta e deixa o presente provocar o futuro.

27.01.2026 / 0 Comentários
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